A Casa Velha

Meu bisavô pretendia ir à casa da família Guidi comprar vinho e azeitonas, quando foi atropelado por um carro desgovernado. Faleceu no local. Bateu a cabeça no meio fio.

Casa da família Guide. Foto: Consuelo.

Naquela época, poucos veículos circulavam pela cidade e, por ironia do destino, foi justamente ele quem deu a autorização para o moço dirigir.

Era o início dos Anos 30.

Rua Silviano Brandão. Foto: Consuelo.

Lá em casa se dizia que se chegassem até 1932 a casa da família estaria a salvo das limitações impostas pelo Banco do Brasil em razão das sucessivas garantias que vovô prestou para salvar famílias amigas da miséria.

A queda da Bolsa de Nova Iorque em 1929 refletiu em Ouro Fino em 1932, bem no ano que Joaquim Pitaguary faleceu.

A casa nova, a que havia sido construída no início dos 1900, estava penhorada como garantia das dívidas contraídas naquele período difícil.

Casa Nova. Foto: Consuelo.

Então veio o fato inesperado, a morte prematura do vovô Simão, justamente no ano no qual tudo seria resolvido. A Casa Nova foi penhorada pelo banco como se nenhum sentimento houvesse por entre salas, quartos, corredor, cozinha e jardim.

De um dia para outro a família de Simão voltou a morar na Casa Velha. Para torná-la habitável de novo o senhor Othelo Serra fechou os buracos e passou uma caiação nas paredes.

Meu bisavô Joaquim Pitaguary.

É que a casa velha havia sido emprestada à famílias necessitadas.

Depois de tudo isso a Casa Velha ficou substantiva na família. Sempre foi colo, chão e céu para todos que nela moraram.

Foi essa casa que eu comprei com tudo que ela representa para a nossa família. Já estava longe de imaginá-la minha e, de repente, lá estava eu sonhando com tudo que poderia realizar.

Vida longa à Casa Velha!

Casa Velha. Foto: Consuelo.

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